ANIMETALIC: The Vision of Escaflowne
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Escaflowne especial

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Escaflowne:


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Redatora: Gisele "Alandria" Salvador

Dando uma geral no anime

Batizado originalmente de Tenkuu no Escaflowne (Escaflowne do Céu), este anime foi um dos mais elogiados no ano em que foi produzido, 1996. Com uma animação caprichada e temas que variam do mistério e do romance até batalhas sangrentas e desesperadas, recebeu vários (merecidos) prêmios. Só não foi considerado o melhor anime de 1996 por causa de um concorrente poderoso: Neon Genesis Evangelion.

O anime é ambientado em um mundo basicamente medieval, mas onde se utiliza mechas de combate nas batalhas, além de outros utensílios mecânicos. A junção de ambos (medievalidade e tecnologia) dá origem a um universo peculiar, onde a ciência, a níveis de século XVIII, convive com castelos, florestas, raças híbridas, dragões e cavaleiros espadachins.

O gênero do anime atinge uma fusão única de shoujo e shounen. Batalhas primorosas e cenas românticas típicas do gênero feminino compartilham cada um dos 26 episódios da série. A preocupação em agradar aos dois públicos parece ter sido bem-sucedida. Quando o mangá de Escaflowne estava para ser produzido, não se sabia a qual gênero deveria pertencer, já que não havia tal diferenciação. Acabaram sendo feitos dois mangás: um shoujo e outro shounen. Ambos, no entanto, distanciam-se bastante do roteiro do anime.

Escaflowne possui um character design (design de personagens) que integra o time de suas peculiaridades. O estilo dos rostos (sobretudo dos narizes, bastante alongados), causa estranheza ao primeiro contato. Mas é só uma questão de tempo até o espectador se acostumar. Aos poucos, a aparência dos personagens adquire um ar clássico, adequado ao clima do anime, tantos em seus momentos de paz quanto nos de guerra.
 

A estória - Como tudo começa

Hitomi Kanzaki é uma jovem estudante japonesa. Integrante do time de atletismo da escola, ela também se interessa na leitura de fortunas (no sentido de sorte ou futuro) através das cartas de tarô. Muitas colegas lhe pedem por previsões, geralmente sobre seus futuros romances. E Hitomi quase sempre acerta.

No entanto, existe um futuro que ela nunca teve coragem de ver: aquele entre ela e o rapaz que ama, Susumu Amano. Tendo Amano como seu sempai, Hitomi teme ver algo ruim nas cartas, mesmo com ele dando alguns sinais de que gosta dela.

Tudo prossegue normalmente até que, durante uma competição, Hitomi tem uma visão misteriosa de um rapaz e do chão desabando sob seus pés. Além disso, sua melhor amiga, Yukari Uchida, adverte Hitomi de que Amano deixará o Japão. Parecia a última chance dela de se declarar, e ela resolve tirar as cartas para saber o que aconteceria. Algo a deixa confusa: aparecem para ela as cartas La Torre, indicando separação, e Il Fusco/La Luce, a carta do dragão, indicando coragem. O que seria?

Isso ela descobre ao se despedir de Amano no dia seguinte. Ela propõe que, caso ela consiga correr 100 metros em menos de 13 segundos, ela teria seu primeiro beijo ganho do sempai. Ele aceita, e ela se prepara para correr. Yukari chega para fazer torcida.

Quando ela larga, lá pelo oitavo segundo de corrida, um portal se abre. Dele, aparece o rapaz de sua visão anterior. Ele aparenta rudeza, mas na verdade, está apenas tenso com a batalha que o aguardava: seguindo o rapaz pelo portal, um dragão surge diante dos quatro. Uma violenta batalha se dá entre o dragão e o rapaz, que acaba se saindo vitorioso graças a Hitomi. Do corpo desfalecido do dragão, ele retira a prova de sua vitória: uma pedra brilhante que ele chama Energist.

Hitomi vai tirar satisfações com o rapaz. Ele se apresenta como Van, e ela, embalada pelo nervosismo, perde o controle e grita com ele. Logo em seguida, o portal, em forma de uma coluna de luz, reabre, e ambos sobem por ele até o céu. Quando Hitomi vê, percebe que está num mundo diferente, onde a Terra aparece no céu junto com a Lua. Eles estavam em Gaea. Van estava em casa. Hitomi percebe que, em Gaea, a Terra é conhecida por todos como Lua Fantasma (ou Lua Mística; a tradução varia).

Ao chegar na terra-natal de Van, Fanelia, Hitomi descobre que a caçada ao dragão era um ritual para Van se tornar rei, já que ele era um príncipe. E a Energist prova aos samurais de Fanelia que Van foi bem-sucedido. Em Fanelia, Hitomi conhece Merle, uma menina-gato apaixonada por Van, mas que ele trata como a uma irmã.

Durante a cerimônia de coroação, Fanelia é atacada por Guymelefs (mechas de combate) invisíveis. Recebendo a recomendação de Vargas, seu tutor, Van só tem uma coisa a fazer: fugir com Hitomi, levando consigo o Guymelef destinado ao Rei de Fanelia: Escaflowne.

Depois que foge, Van descobre que seu país foi atacado pelos Guymelefs do Império Zaibach, e que nada havia sobrado além de sobreviventes e cinzas. Desse momento em diante, Van jura vingança contra aqueles que destruíram seu país e mataram seu tutor.

Por se tratar de uma série com muitos mistérios e com um enredo pouco linear, fica difícil escrever um resumo do anime sem acabar falando demais (literalmente: é difícil resumir uma história cheia de detalhes como esta). A história fica mais compreensível depois que se conhece alguns outros personagens.
 

Quem são os maus e o que eles querem, afinal?

Zaibach era uma terra muito pobre e desolada de Gaea. Vítima de ataques freqüentes, seu povo vivia sem esperança de uma vida melhor. Um destino severo. Até que apareceu um cientista, que ensinou tudo o que sabia para aquela gente e fez daquela terra um verdadeiro império tecnológico. Esse homem tornou-se imperador, e comandou aquela gente na batalha contra a severidade da natureza. Esse homem desejava lutar contra as imposições do destino, e dar ao povo de Zaibach uma chance de felicidade. Esse homem era Dornkirk.

Para conseguir alcançar seus objetivos, Dornkirk pesquisou formas de alterar o destino, e chegou até a lenda do Continente Perdido de Atlântida. Os atlantes possuiam uma máquina que convertia os desejos das pessoas em poder, atendendo aos pedidos que lhe fossem feitos. Com tal máquina, os atlantes tornaram-se arrogantes e proclamaram-se deuses, irritando as verdadeiras divindades. Como punição, Atlântida foi destruída, e o Poder de Atlântida, selado para nunca mais ser usado.

Dornkirk dedicou toda a sua existência, desde então, à procura do Poder de Atlântida para a construção de uma máquina que pudesse alterar o destino das pessoas. Mas tal procura virou obcessão, e nada mais importava além de seu sonho: não faria diferença quantos países seriam arruinados, quantos Guymelefs seriam derrubados ou quantas pessoas seriam mortas, desde que seu objetivo, sua "felicidade suprema", fosse alcançada.

Através de seu gigantesco aparato tecnológico, Dornkirk era capaz de ver o futuro com a ajuda de uma espécie de telescópio. Com as previsões, ele guiava Zaibach em cada passo de seu plano. Até que algo o impediu de ver. Algo como uma sombra. Uma sombra de dragão.

Sendo Fanelia a terra dos dragões, parecia óbvio que aquela sombra deveria vir de lá. Escaflowne poderia muito bem ser o tal Dragão, já que o mecha pode adotar a forma do animal se assim desejar seu piloto. Assim sendo, Dornkirk ordenou a seus soldados que acabassem com Fanelia e com todos que nela vivessem, inclusive o Rei e seu Guymelef. E a história se fecha: os Dragon Slayers atacam Fanelia bem no dia da coroação, quando Van foge com Hitomi para a fronteira de Asturia.
 

E por que Hitomi?

A princípio, não haveria nenhum motivo em especial para Hitomi ser levada para Gaea. Na verdade, ela foi levada acidentalmente junto com Van para Gaea. No entanto, algo poderia estar relacionado à sua capacidade de leitura de fortunas e a suas visões, que se intensificaram depois que ela foi para Gaea.

Outro item que merece destaque é o pendante de Hitomi. Trata-se de uma pedra cor-de-rosa, pendurada em uma corrente dourada. Hitomi sempre traz consigo a jóia, que ela ganhou da avó. O pingente possui uma característica interessante: balança de um lado para o outro uma vez por segundo tal qual um pêndulo de relógio.

Uma vez em Gaea, coisas estranhas começam a acontecer envolvendo o pendante de Hitomi. Na fuga de Fanelia por exemplo, é a jóia que, com um brilho intenso, transporta Van e Hitomi, juntamente com Escaflowne, para a fronteira com Asturia. A partir daí, muitas situações de emergência passam a se resolver com a ajuda do tal pendante. Uma das habilidades mais úteis dele é amplificar a habilidade de Hitomi de ver objetos invisíveis, o que ajuda e muito contra os Guymelefs de Zaibach.

Mas o que será que torna um simples pendante tão poderoso? É o que Hitomi gostaria de saber.
 

O que tem Escaflowne de especial para dar nome à série?

Escaflowne é um Guymelef bastante peculiar. Foi fabricado pelo clã Ispano, que vive em uma dimensão paralela. É dito que Ispano é um povo que aprendeu sua técnica com os antigos atlantes. Gyumelefs de Ispano não são simples máquinas: eles exigem um contrato de sangue com seus pilotos, sendo que apenas aquele com o contrato será capaz de pilotá-lo. O contrato de sangue é feito através de uma Energist, tradicional "combustível" para os Guymelefs. A Energist deve ser embebida em sangue do piloto antes de ser inserida no mecha. Uma vez feito isso, o Guymelef de Ispano age como se assimilasse o dono: aos poucos, o piloto torna-se parte dele, compartilhando sua dor. Em compensação, esse tipo de Guymelef, em caso de grande emergência, pode mover-se sozinho, se o desejo do piloto for forte e este correr perigo.

Em Fanelia, terra dos dragões, conta a lenda que um guerreiro matou um dragão que estava trazendo caos para o país. Depois disso, ele foi coroado Rei de Fanelia. A partir daí, todo herdeiro do trono deve matar um dragão para provar ser digno de reinar. A prova de vitória, a Energist do dragão derrotado, é apresentada aos sábios Quatro Samurais de Fanelia, que fazem o papel de conselho de anciãos. Se todos os quatro confirmam a autenticidade da Energist (ou, mais corretamente dizendo, Dragu-Energist), o guerreiro é coroado.

Sendo Fanelia um território de vastas florestas, que servem de lar para os dragões da terra, os dragões acabaram tornando-se quase um símbolo do Reino. Por causa disso, na hora de escolherem um Guymelef digno do Rei de Fanelia, caso uma guerra explodisse, encomendaram diretamente a Ispano, sabido que o clã sempre fazia trabalhos de primeira qualidade. E mais: foi pedido que o Guymelef se parecesse com um dragão. Ispano, então, confeccionou um mecha capaz de adotar a forma de um dragão alado.

Essa semelhança com um dragão fez de Escaflowne um dos alvos para Zaibach: para que o sonho ideal de Dornkirk se realizasse, o Guymelef teria que ser destruído.
 

O ponto onde todos se encontram: Atlântida

O que deveria ser um ponto de partida acaba sendo um ponto de encontro. A maioria dos personagens centrais deste anime tem algo a ver com a terra lendária. Isso leva o grupo ao Vale Místico, uma região que seria, segundo as histórias contadas, o lugar onde Atlântida teria sido reconstruída.

Primeiro, Hitomi: ela quer descobrir de onde vem o poder de seu pendante, bem como saber como uma jóia poderosa como essa poderia ter chegado à Terra para ser ganha por ela. Assim sendo, muitas respostas lhe serão dadas quando o grupo chegar ao Vale Místico.

Allen traz, também, algumas ligações com Atlântida. Seu pai, Leon Schezar, passou boa parte de sua vida procurando pelo segredo que o Vale Místico escondia. Abandonou sua família para seguir com seu sonho, e por isso Allen sempre guardou muito rancor de seu pai. Mas, mesmo assim, ele nunca entendeu o porquê dessa jornada. E é essa resposta que ele procura.

Por fim, Van. O jovem Rei de Fanelia possui um elo com os antigos atlantes que chega às margens dos laços de família. Um dos maiores segredos da série é justamente relacionado ao passado ancestral de Van. Teria isso algo a ver com a primeira visão de Hitomi, onde um anjo a salvava da queda no abismo?
 

O que esperar deste anime?

Você encontra de tudo um pouco. Às vezes, a história torna-se simples e despreocupada, o que fica mais fácil com as crises de ciúme de Merle. No entanto, a partir da chegada dos heróis em Freid, tudo toma um rumo mais denso. Coisas como o "redirecionamento do destino" podem chegar a dar nós na cabeça de quem assiste, de forma quase similar ao que acontece em Evangelion, por exemplo, com a complementação humana. Talvez o clima não se torne tão "dark", mas com certeza o anime vai te prender e te colar na poltrona, esteja ele na fase leve ou na densa.

Com certeza, se você é fã de um dos seguintes temas:

- Capa-e-espada;

- Ambientação medieval;

- Batalhas de mechas;

- Triângulos amorosos / romances doces / ciúme e traição;

você vai achar algo em Escaflowne. Vale a pena com certeza. É um anime que manda você assistir até o final (sem parar, de preferência). E você simplesmente não se cansa.

Espere um anime bem estruturado, com uma animação de encher os olhos e enredo cheio de surpresas. E uma recomendação: leia o mínimo de spoilers possíveis e, em hipótese alguma, assista o final antes do início. A espera vai valer a pena!

Créditos da série de TV

Título inglês: Vision of Escaflowne
Título japonês: Tenkuu no Esukafurone
Exibição: 2 de Abril de 1996 até 24 de Setembro de 1996
Número de episódios: 26
Production Company: Sunrise
Criador: Shoji Kawamori
Diretor da série: Akane Kazuhiko
Escritor: Shoji Kawamori (supervisor)
Character Designers: Yuki Nobuteru, Yamane Kimitoshi (mecha), Mahiro Maeda (mecha), Junya Ishigaki (mecha)
Animadores: Hirotshi Sano, Hiroshi Sako
Música:Yoko Kanno
Seyuus (dubladores): Maya Sakamoto (Hitomi Kanzaki), Seki Tomokazu (Van Fanel), Shinichirou Miki (Allen Shezar), Iizuka Masako (Millerna), Ikue Otani (Merle), Jouji Nakata (Folken), Minami Takayama (Dilandau Albatau), Masato Yamauchi (Dr. Dornkirk)
Gênero: Ficção científica, robôs gigantes (mechas), viagem dimensional, aventura, romance

Avaliação

Nota: 10,0 - O anime é capaz de prender o espectador até o final e ainda deixar um gostinho de "quero mais". Vários gêneros misturados fazem de Escaflowne um anime para vários públicos.